Sem categoria
Dos Métodos Mistos aos Métodos Mistos Enxutos
7 de dezembro de 2015
0
Métodos mistos

Após muitos anos de pesquisa, a partir do lançamento do JMMR (Journal of Mixed Methods Research) em 2007, entre outras diversas publicações, John Creswell passa a definir PMM Pesquisa de Métodos Mistos como:

“…aquela em que o investigador coleta e analisa os dados, integra os achados e extrai inferências usando abordagens ou métodos qualitativos e quantitativos em um único estudo ou programa de investigação.

Vantagens

Justamente pelo fato de a PMM propor esse diálogo entre múltiplas maneiras de ver, ouvir e de extrair sentido do mundo social, oportunizando diversos pontos de vista sobre o que é importante ser valorizado num projeto de pesquisa, identificamos algumas vantagens resultantes do uso dessa metodologia, conforme Creswell (2013):
– PMM proporciona mais evidências para o estudo de um problema de pesquisa do que os métodos quali, ou quanti isoladamente;
– Maior opção de ferramentas de coleta;
– Responde perguntas que não poderiam ser respondidas pelo uso único de método, quali, ou quanti;
– É uma ponte entre a divisão por vezes antagônica dos “pesquisadores quantitativos e qualitativos”, ampliando oportunidades de colaboração;
– Encoraja o uso de múltiplas visões de mundo, ou paradigmas, reforçando uma espécie de pragmatismo integrativo;
– É essencialmente “prática” no sentido em que o pesquisador está livre para usar todos os métodos possíveis ao abordar um problema de pesquisa e também porque os indivíduos tendem a resolver os problemas usando tanto números, quanto palavras e combinando o pensamento indutivo e o dedutivo, seja observando pessoas, ou registrando comportamentos;

No entanto, para Creswell (2013), o conceito da pesquisa de métodos mistos é menos uma disputa de prioridades entre a pesquisa qualitativa versus a quantitativa e mais sobre como essas práticas de pesquisa se posicionam entre estes dois polos, ou seja, podemos dizer que os estudos tendem a ser mais qualitativos ou mais quantitativos e que os Métodos Mistos são essa combinação de métodos, logo, são também uma filosofia e uma orientação do projeto de pesquisa.

O conceito de reunir diferentes métodos provavelmente teve origem no ano de 1959 quando Campbell e Fiske introduziram o uso de métodos quantitativos múltiplos, contribuição que auxiliou e encorajou uma série de novas pesquisas multimétodos que ainda conforme Creswell passou pelos seguintes estágios de desenvolvimento com ocupações epistemológicas que independente de quando começaram, permanecem muitas delas atuantes até os dias de hoje a exemplo de:

1. Período formativo (1959 a 1979) – a partir do trabalho descrito anteriormente por Campbell e Fiske;
2. Período de debate do paradigma (1985 a 1997) – a partir de Rossman e Wilson, que discutiram as posturas para a combinação dos métodos – puristas, situacionistas e pragmatistas;
3. Período de desenvolvimento dos processos (1988 a 2000) – a partir de Bryman, que tratou das razões para combinar a pesquisa quantitativa e a qualitativa;
4. Período de defesa e expansão (2003 a 2009) – a partir de Tashakkori e Teddlie, que proporcionaram um tratamento abrangente de muitos aspectos da pesquisa de métodos mistos;
5. Período reflexivo (2003 aos dias atuais) – a partir de Creswell, com a obra Controvérsias em Pesquisas de Métodos Mistos (2014);

Limites

Todo esse empreendimento em prol de conciliações e complementaridades, características dos Métodos Mistos, no entanto, não olvidam seus limites, ou mesmo regras e cuidados que ainda excetuando qualquer dogma, ou determinismo necessitam ser avaliados, a exemplo de alguns aspectos sugeridos tanto pela Profa. Maria Cristiane Barbosa Galvão, Pós-Doutora pela McGill University (Canadá), na palestra Métodos de pesquisa mistos e revisões de literatura mistas: uma janela de oportunidades científicas http://iearp.blogspot.com.br/2013/02/metodos-de-pesquisa-mistos-e-revisoes.html proferida no Centro de Informática da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – USP em abril de 2013, quanto por Creswell (2013) que dentre algumas ressalvas pontuam as seguintes questões:
– Os métodos mistos não são a resposta para todo o pesquisador, nem para todo o problema de pesquisa;
– O uso da pesquisa mista não substitui, nem diminui o valor da condução de estudos exclusivamente quantitativos, ou qualitativos;
– Pela densidade da aplicação de dupla metodologia deve ser sempre avaliado se a variável tempo é suficiente para a coleta e análise;
– É oportuno na escolha da PMM, alto critério de seletividade com os componentes das amostras e bases de informações;
– Necessidade da existência de uma grande equipe multidisciplinar de profissionais super experientes e qualificados (GALVÃO, 2013, USP – sítio da internet). Entretanto, nesse ponto, vale considerar Creswell, 2013, quando identifica que essa metodologia pode ser aplicada tanto por um pesquisador, quanto um grupo de pesquisadores em seus projetos de pesquisa.

 

Consequências empreendedoras

De outra forma, não obstante os desafios, o fato é que a partir dessa caminhada para a consolidação de cada vez mais e melhores metodologias de pesquisa, constatamos inovações que hoje já se utilizam da base conceitual dos Métodos Mistos. A exemplo de empreendimentos metodológicos como as aproximações ao conceito Lean Startup de Eric Ries (2012), objetivando facilitar as apropriações organizacionais, técnicas e práticas dos Métodos Mistos, passando nesse caso a serem chamadas de Lean Mixed Methods Research, ou Pesquisa de Métodos Mistos Enxutos (MME).

Apropriações que quedam-se exemplificadas na proposição do método e software Postmetria www.postmetria.com.br,  assim como, no trabalho de Mateo Rando (anterior executivo de pesquisas do Facebook e atual Lider Research da Spotify – empresa global de serviço de música digital), que conforme apresentação no evento Lean UX na Researchapaloozafest, demonstra que atualmente mesmo os novos conceitos metodológicos da Pesquisa de Métodos Mistos – PMM já estão sendo incorporados pelos novos paradigmas do mercado, nesse caso os Métodos Ágeis (Manifesto Ágil, 2008), a partir de iniciativas e práticas organizacionais.

BIBLIOGRAFIA:
1. CRESWELL, John W. Pesquisa de métodos mistos. 2ºEd. Porto Alegre, RS: Penso, 2013;
2. JOHNSON e ONWUEGBUZIE. Mixed methods research: a research paradigm whose time has come. Educational researcher, Vol. 33, Nº 7 (Oct., 2004), pp. 14-26. American Educational Research Association;
3. KOZINETS, Roberto V. Netnografia: realizando pesquisa etnográfica online. Porto Alegre: Penso, 2014;
4. RIES, Eric. A startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. São Paulo: Lua de Papel, 2012;
INFOGRAMAS:
1. GALVÃO, Maria Cristiane B. Métodos de pesquisa mistos e revisões de literatura mistas: uma janela de oportunidades científicas. Centro de Informática da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – USP – Abril de 2013. http://iearp.blogspot.com.br/2013/02/metodos-de-pesquisa-mistos-e-revisoes.html
2. Manifesto Ágil – Princípios: http://manifestoagil.com.br/principios.html
3. Manifesto Ágil: http://manifestoagil.com.br/
4. Manifesto Ágil: http://pt.wikipedia.org/wiki/Manifesto_%C3%81gil
5. RANDO, Mateo. Lean Mixed Methods Research. Lean UX – Researchapaloozafest, de 10 a 12 de abril de 2014, http://vimeo.com/84866306
6. Software Postmetria www.postmetria.com.br
0

About author

postmetria_admin

Items relacionados

/ Você talvez queira ver estes itens também

Postmetria é uma das selecionadas do Programa InovAtiva Brasil

Após muitos anos de pesquisa, a partir do lançam...

Leia mais

Pacote de Novidades Postmetria

Após muitos anos de pesquisa, a partir do lançam...

Leia mais
Busca redes sociais

Pesquisas X Monitoramento na internet

Após muitos anos de pesquisa, a partir do lançam...

Leia mais

There are 0 comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *